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Apresentação
O SenGono é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde, os Sítios Sentinelas (gestões estaduais e municipais, centros de coleta e laboratório de apoio local) e o Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da Universidade Federal de Santa Catarina (LBMMS/UFSC). A vigilância envolve coleta e processamento de amostras, identificação do agente etiológico, captação de dados epidemiológicos e definição do perfil de sensibilidade, dentre outras análises essenciais para o desenvolvimento da estratégia.
Na primeira edição do projeto (2015-2016), evidenciou-se elevada resistência ao ciprofloxacino, o que levou à atualização da recomendação nacional para o tratamento preferencial da infecção gonocócica anogenital não complicada, com substituição do ciprofloxacino pela ceftriaxona, em terapia dupla com a azitromicina. Ainda no âmbito da primeira edição e em parceria com o laboratório de referência da OMS, realizou-se a vigilância genômica do gonococo mediante o sequenciamento total do genoma dos isolados.
A segunda edição do SenGono ocorreu entre 2018 e 2020, em que se evidenciou o aumento da resistência do gonococo à azitromicina e a permanência de elevada sensibilidade da bactéria às cefalosporinas de terceira geração (ceftriaxona e cefixima).
Atualmente, encontra-se em andamento a terceira edição (2023-2025), que contará com a participação de unidades-sentinela habilitadas e que terá previsão de publicação de novos resultados em 2024. A habilitação das unidades-sentinela está sendo realizada no âmbito da Vigilância Sentinela da Síndrome do Corrimento Uretral Masculino (VSCUM), instituída pela Portaria n.º 1.553, de 17 de junho de 2020. Dentre as atribuições dessas unidades, destaca-se a notificação de todos os casos de corrimento uretral atendidos na unidade e a participação no monitoramento da sensibilidade aos antimicrobianos.
Para informações detalhadas da primeira e segunda edições do SenGono, acesse https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/2023/relatorio-de-monitoramento-da-sensibilidade-do-gonococo-aos-antimicrobianos-no-brasil-vigilancia-sentinela-projeto-sengono.pdf
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Fortalecimento da vigilância das infecções sexualmente transmissíveis: Brasil avança com novas estratégias
Encontro Nacional impulsiona aprimoramento na vigilância dos casos de corrimento uretral e detecção da resistência do gonococo aos antimicrobianos
Nos dias 25 e 26 de fevereiro de 2026, ocorreu o Encontro Nacional de Fortalecimento da Vigilância Integrada da Sensibilidade do Gonococo aos antimicrobianos, em Florianopólis/SC. Reunindo cerca de 70 pessoas, o evento marcou o início de um projeto piloto para a implementação de fitas de gradiente de concentração no âmbito do SenGono – Sentinela do Gonococo, que monitora a sensibilidade do gonococo aos antimicrobianos no Brasil há mais de 10 anos. A inclusão desta nova técnica visa fomentar não somente os dados de vigilância, como também contribuir para melhoria do cuidado das pessoas com gonorreia.
O evento teve como objetivo principal qualificar as equipes dos sítios sentinelas, que são as unidades de saúde responsáveis pela Vigilância Sentinela da Síndrome do Corrimento Uretral. Os sítios sentinela também auxiliam no monitoramento da susceptibilidade de Neisseria gonorrhoeae (NG) aos antimicrobianos, ou seja, como a bactéria reage aos medicamentos para o tratamento da gonorreia. Esse acompanhamento, estabelecido por meio de portaria, é uma estratégia para melhorar o diagnóstico e o tratamento, criar novas orientações clínicas e desenvolver ações de saúde pública eficientes no Brasil.
Para Maria Luiza Bazzo, coordenadora do Laboratório de Referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis no Brasil, o Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da Universidade Federal de Santa Catarina (LBMMS/UFSC), o encontro representou um passo importante para o fortalecimento da vigilância da resistência antimicrobiana no país.
“Esse evento é um espaço fundamental para a troca de experiências entre os serviços que integram o SenGono, permitindo alinhar práticas, compartilhar desafios e aprimorar estratégias. Essa integração é essencial para avançarmos na vigilância do corrimento uretral, do monitoramento da resistência do gonococo aos antimicrobianos e fortalecer a capacidade do país de responder de forma rápida e qualificada a esse importante problema de saúde pública”, destacou Maria Luiza Bazzo.
A nova técnica apresentada no evento é uma iniciativa do Ministério da Saúde e do LBMMS/UFSC, no âmbito da estratégia SenGono, e conta com a parceria e apoio do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Gonorreia e outras IST (Örebro/Suécia). Durante o encontro, a equipe técnica do LBMMS/UFSC também realizou um treinamento prático sobre o protocolo a ser utilizado no projeto piloto.
Segundo a coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Pâmela Gaspar, (Cgist/Dathi/SVSA/MS,) o Brasil está comprometido com vigilância da resistência do gonococo aos antimicrobianos. “Com a implementação piloto desta nova metodologia na estratégia SenGono de forma complementar às análises que já são feitas, nossos serviços terão mais autonomia e as pessoas serão melhor assistidas. Com a redução do tempo necessário para determinar o perfil de sensibilidade do gonococo aos antimicrobianos, será possível ajustar os tratamentos, quando for necessário, bem como investigar in loco casos suspeitos de resistência. Isso é muito importante, pois apesar das bactérias Neisseria gonorrhoeae que circulam no Brasil ainda responderem ao tratamento preconizado nas diretrizes nacionais, já há evidências de casos no mundo de resistência do gonococo às terapias disponíveis”, explicou.
O Brasil integra redes internacionais como a Rede Latino-Americana de Resistência aos Antimicrobianos (ReLAVRA), coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), e os programas Gonococcal Antimicrobial Surveillance Program (GASP) e Enhanced Gonococcal Antimicrobial Surveillance Program (EGASP) da OMS, o que reforça seu compromisso com o fortalecimento da vigilância.
Organizado pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS) em parceria com o LBMMS/UFSC, o encontro contou com a colaboração de instituições como a Global Antibiotic Research and Development Partnership (GARDP), os CDC do Brasil e dos EUA, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Representantes da Coordenação Geral de Laboratórios (CGLAB/SVSA/MS), da Opas e do Centro Colaborador da OMS em Gonorreia e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis estiveram presentes, juntamente com profissionais clínicos e de laboratório que atuam nos Sítios Sentinelas para Vigilância do Corrimento Uretral no Brasil.
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Brasil avança na busca por novas tecnologias para o manejo da gonorreia
Workshop reúne especialistas para discutir a possibilidade de implementação de tratamento inovador e fortalecer a vigilância antimicrobiana
Em um esforço contínuo para responder à crescente resistência antimicrobiana, o Brasil sediou no dia 24 de fevereiro de 2026 o “Workshop sobre estratégias, perspectivas e desafios para os novos tratamentos de IST no Brasil” em Florianópolis/SC, na última semana. O evento reuniu especialistas em infecções sexualmente transmissíveis (IST) e representantes de diversas instituições nacionais e internacionais para debater estratégias, perspectivas e desafios na implementação da Zoliflodacina, um novo medicamento para o tratamento da gonorreia.
O workshop foi realizado pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS), em parceria com Global Antibiotic Research and Development Partnership (GARDP) – organização internacional sem fins lucrativos que atua no desenvolvimento clínico da Zoliflodacina, considerado uma das principais inovações terapêuticas em estudo para a doença. Além disso, o Workshop também contou com a organização e parceria do Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da UFSC (LBMMS/UFSC), o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC Brasil e EUA), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Centro Colaborador da OMS em Gonorreia e outras IST.
A discussão de novas estratégias terapêuticas ocorre em um contexto de alerta global da Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem destacado a gonorreia resistente como uma ameaça à saúde pública. A bactéria causadora da doença, Neisseria gonorrhoeae (NG), integra a lista de patógenos prioritários da OMS para pesquisa e desenvolvimento de novos antibióticos, o que reforça a relevância de ampliar os esforços internacionais na busca por novas opções terapêuticas. Nesse cenário, iniciativas como a da GARDP têm papel estratégico ao promover o desenvolvimento de novos tratamentos voltados para infecções bacterianas prioritárias e acelerar o acesso global a essas tecnologias.
Desta forma, o workshop teve como objetivo principal aprofundar a discussão sobre a viabilidade de implantação e os critérios de uso da Zoliflodacina para tratamento da gonorreia no Brasil. Em âmbito internacional, este fármaco foi aprovado pelo FDA (U.S. Food and Drug Administration) em dezembro de 2025. Durante o encontro, que contou com cerca de 60 participantes, foram abordados o cenário mundial e brasileiro da resistência da NG aos medicamentos antimicrobianos; os resultados atualizados dos ensaios clínicos com Zoliflodacina; e os mecanismos de incorporação de novas tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS).
A coordenadora-geral de Vigilância das ISTs do Ministério da Saúde (Cgist/MS), Pâmela Gaspar, explica que a busca por novos tratamentos é constante, por causa da capacidade da bactéria de desenvolver resistência aos medicamentos existentes. “A discussão sobre a Zoliflodacina é fundamental para garantir que as pessoas tenham acesso a opções eficazes de tratamento. Nosso foco é fortalecer a resposta do SUS à resistência antimicrobiana e assegurar que as políticas públicas de saúde acompanhem as inovações científicas, sempre priorizando o cuidado integral e o bem-estar da população”, explicou.
Embora já existam relatos internacionais de isolados de NG com resistência a múltiplos antimicrobianos, os dados da vigilância nacional da susceptibilidade da bactéria aos antimicrobianos instituída há mais de 10 anos, indicam que, atualmente, os isolados circulantes no Brasil ainda respondem adequadamente ao tratamento recomendado no país. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (PCDT IST) recomenda atualmente a terapia dupla com ceftriaxona e azitromicina.
No entanto, a diretriz está em fase de atualização e poderá alinhar-se às recomendações internacionais para uma possível terapia com apenas um medicamento (ceftriaxona), considerando a crescente resistência à azitromicina e a manutenção da sensibilidade à ceftriaxona. Apesar disso, é importante que o Brasil participe ativamente das discussões globais sobre novas abordagens terapêuticas, antecipando cenários e fortalecendo a preparação do sistema de saúde frente ao avanço da resistência antimicrobiana.
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Saúde reforça a conscientização sobre resistência aos antimicrobianos
Semana Mundial de Conscientização da Resistência aos antimicrobianos é promovida pela Organização entre 18 e 25 de novembro
Com o tema “Eduque. Colabore. Faça agora”, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde – por meio do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) – destacam a importância da resposta à resistência aos antimicrobianos. Entre 18 e 25 de novembro, várias ações marcaram a Semana Mundial de Conscientização da Resistência aos Antimicrobianos.
Para a coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (Cgist/Dathi/MS), Pâmela Gaspar, a compreensão da resistência antimicrobiana — quando bactérias, vírus, fungos e parasitas não respondem mais aos medicamentos antimicrobianos — é fundamental para elaborar estratégias que sejam eficazes no contexto brasileiro.
“Esta é uma ação que demoramos mais de 20 anos para conseguir emplacar no Brasil e que hoje temos muito orgulho por ter conseguido, em colaboração com tantos parceiros engajados. Nosso atual tratamento de gonorreia é totalmente embasado no perfil de sensibilidade das cepas circulantes no Brasil, pautado por evidências nacionais. Isto traz mais efetividade ao tratamento, aumenta a chance de cura e também a qualidade de vida das pessoas”, ressalta Pâmela Gaspar.
O uso racional de antimicrobianos que envolvem a gonorreia e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) compreende o diagnóstico precoce, o tratamento oportuno, o monitoramento da resistência do gonococo (popularmente conhecido como gonorreia) e das demais ISTs – como o Mycoplasma genitalium, e a introdução de novas tecnologias terapêuticas no Brasil. “Estamos avançando na Vigilância de Resistência de M. genitalium aos antimicrobianos para que, assim como ocorre com o gonococo, embasarmos nosso protocolo de acordo com o perfil das cepas circulantes no Brasil”, informa Pâmela Gaspar.
Resposta brasileira à resistência aos antimicrobianos
A Cgist, por meio do Dathi, em parceria com estados, municípios e serviços de atenção à saúde (sítios sentinela), Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB) e laboratórios locais distribuídos pelo Brasil realiza periodicamente a vigilância da sensibilidade do gonococo aos antimicrobianos (SenGono – Sentinela do Gonococo). A parceria conta também com o Laboratório de Referência Nacional (Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia/Universidade Federal de Santa Catarina) coordenado pela Dra Maria Luiza Bazzo.
A primeira edição do SenGono ocorreu entre 2015-2016, cujos resultados demonstraram elevada resistência do gonococo ao antimicrobiano ciprofloxacino. Após esses resultados, o Ministério da Saúde alterou o protocolo nacional, substituindo o medicamento pela ceftriaxona, que apresentou 100% de sensibilidade, em terapia dupla com azitromicina.
O SenGono foi realizado novamente entre 2018 e 2020, em que se evidenciou o aumento da resistência do gonococo à azitromicina e a permanência de elevada sensibilidade da bactéria às cefalosporinas de terceira geração permanecendo a recomendação nacional de tratamento duplo com ceftriaxona e azitromicina. Os resultados podem ser encontrados no Relatório de Monitoramento da Sensibilidade do Gonococo aos Antimicrobianos no Brasil. A terceira edição encontra-se em andamento, com previsão de emissão dos resultados em 2025.
De acordo com a coordenadora da Cgist/MS, o enfrentamento da resistência do gonococo aos antimicrobianos no Brasil, bem como das demais ISTs, como Mycoplasma genitalium, envolve o uso racional dos antimicrobianos, a realização do rastreio de populações com mais vulnerabilidades às ISTs, a testagem de pessoas sintomáticas, o tratamento correto e oportuno e o monitoramento dos casos.
Ela também destaca que o Brasil vem priorizando ações para mudança da abordagem do manejo das ISTs, de sindrômico para etiológico, investindo na identificação, por meio de testes diagnósticos, dos patógenos causadores da infecção. Em 2023, a Rede Nacional de Laboratórios do Sistema Único de Saúde (SUS) passou a ofertar de maneira definitiva, pela primeira vez, testes para detecção de clamídia e da bactéria causadora da gonorreia. No total, foram investidos R$ 3,3 milhões no contrato para a realização dos serviços pelos 82 laboratórios da rede. Encontra-se em andamento o projeto piloto de implementação de testes rápidos moleculares, permitindo a testagem e a instituição do tratamento conforme resultado em uma mesma consulta. Os resultados deste piloto subsidiarão a implantação definita no próximo ano.
Lorany Silva
Ministério da Saúde
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Ministério da Saúde integra de forma piloto o programa internacional de vigilância avançada da resistência de gonorreia da OMS

Nos dias 7 e 8 de agosto o Ministério da Saúde recebeu profissionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para uma missão conjunta de implementação do Programa Aprimorado de Vigilância Antimicrobiana Gonocócica (Egasp) no Brasil e discussão sobre ferramentas para a resposta à sífilis e à sífilis congênita.
O objetivo do Egasp é fortalecer o controle da gonorreia por meio da vigilância da resistência a medicamentos antimicrobianos utilizados no tratamento de seu agente, o Neisseria gonorrhoeae.
O Ministério da Saúde – por meio do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente – realiza o monitoramento da sensibilidade do gonococo aos antimicrobianos, por meio da iniciativa SenGono (Sentinela do Gonococo), coordenada pelo Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob responsabilidade da doutora Maria Luiza Bazzo, em parceria com estados, municípios, serviços de assistência e laboratórios locais).
Desde a primeira edição, a vigilância SenGono conta com colaboração da OMS, por meio do Programa de Vigilância Antimicrobiana Gonocócica (Gasp), em parceria com Centro Colaborador da OMS para gonorreia e outras infecções sexualmente transmissíveis, coordenado pelo doutor Magnus Unemo, e do Laboratório de Referência da América Latina para gonococo, o Laboratorio de Referencia en Enfermedades de Transmisión Sexual do Instituto Nacional de Enfermedades Infecciosas da Administración Nacional de Laboratorios e Institutos de Salud (INEI/ANLIS Malbrán), coordenado pela pesquisadora Patrícia Galarza.
A partir da referida iniciativa, este ano, o Brasil foi convidado a participar do programa aprimorado, o Egasp. Para o piloto, foram escolhidos dois serviços que integram SenGono, sendo o primeiro o Núcleo de Testagem e Aconselhamento do Distrito Federal e, o segundo, o Centro para Vigilância Sentinela do Corrimento Uretral, localizada em Florianópolis, Santa Catarina. Estes serviços são habilitados como centros para vigilância sentinela do corrimento uretral, que têm como uma das atividades principais o monitoramento da sensibilidade do gonococo aos antimicrobianos.
Durante a reunião, a secretária da SVSA, doutora Ethel Maciel, ressaltou a disponibilidade do Ministério da Saúde para o trabalho em conjunto com a OMS e o CDC na resposta às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). “Nossa gestão está comprometida com o cuidado da população. Vocês podem contar com a gente para juntos trabalharmos para o controle e a eliminação dessas ISTs”.
O encontro foi mediado pela doutora Pâmela Gaspar, coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Dathi, e contou com representantes da OMS; do CDC Brasil e Estados Unidos; da Universidade Federal do Espírito Santo; do Núcleo de Testagem e Aconselhamento e Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal; Coordenação de IST do Distrito Federal e de Santa Catarina, da Opas; da UFSC; e da Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública, do Centro Colaborador da OMS para gonorreia e outras infecções sexualmente transmissíveis e do Laboratório Nacional de Referencia en Enfermedades de Transmisión Sexual (INEI/ ANLIS Malbrán).
Representantes da missão no Brasil também estiveram em Florianópolis/SC, nos dias 5 e 6 de agosto, para realizar visitas ao Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da Universidade Federal de Santa Catarina (LBMMS/UFSC) – referência nacional de IST – e à Policlínica Centro da Prefeitura Municipal de Florianópolis/SC, além de discussão técnica a respeito dos protocolos nacionais e da Egasp, bem como explanação a respeito dos antecedentes, expansão e resultados recentes do Programa Aprimorado.
Brasil Saudável
Para o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, o país está novamente priorizando a saúde da população. “O Brasil está de volta e estamos interessados em realizar parcerias internacionais em prol do cuidado da população. Hoje temos um programa ousado, o Brasil Saudável, que visa eliminar 11 doenças e cinco infecções transmitidas de mãe para filho. A eliminação da transmissão vertical da sífilis está entre nossas prioridades”.
Em consonância, Miguel Aragón, assessor de Doenças Transmissíveis e em Eliminação da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), ressaltou que o enfoque do Brasil Saudável e que pode ser um exemplo para outros países da América Latina. “Do ponto de vista da saúde, o Brasil possui as tecnologias disponíveis para a eliminação de diversas infecções e doenças, mas o país tem um grande obstáculo, que são as desigualdades sociais. Por isso, a chave desse programa é enfrentar os determinantes sociais”, destacou.
Lorany Silva e Ádria Albarado
Ministério da Saúde






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Grupo da UFSC é referência em pesquisas sobre agentes causadores de ISTs
O trabalho desenvolvido no Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da UFSC tem reconhecimento nacional e internacional na identificação de agentes causadores de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e no estudo da resistência desses microrganismos a drogas que os combatam. O projeto Vigilância da Resistência do gonococo aos antimicrobianos e da etiologia das uretrites e úlceras genitais no Brasil é coordenado pela professora Maria Luiza Bazzo, do Departamento de Análises Clínicas, ocorre em parceria com o Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde e tem a gestão financeira da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).
Entre outras coisas, o grupo identificou um aumento na resistência do gonococo, causador da gonorreia, à azitromicina, um dos antimicrobianos utilizado no tratamento de ISTs. Parte dos resultados deste estudo foi publicado em 2022 no Journal of Antimicrobial Resistance. Outro trabalho recente propiciou o início da detecção etiológica de microrganismos como o Mycoplasma genitalium, uma bactéria associada a uretrites em homens e ao aumento de risco para aborto espontâneo, parto prematuro, doença inflamatória pélvica e infertilidade em mulheres, o que trouxe uma preocupação mundial a respeito da resistência dessa bactéria aos antimicrobianos. “Este caminho nos mostrou a importância de estudar resistência aos antimicrobianos, especialmente em Neisseria gonorrhoeae e agora em Mycoplasma genitalium”, observa a professora Maria Luiza.
Desde a década de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vigilância da resistência de Neisseria gonorrhoeae (gonococo) aos antimicrobianos. O primeiro estudo de vigilância nacional desta resistência,realizado em parceria com a Fapeu, foi finalizado em 2017. Naquela versão foram coletadas amostras em Belo Horizonte, São Paulo, Manaus, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre e Salvador.Para um segundo estudo houve uma ampliação dos centros de saúde nacionais que realizam a coleta das amostras. Os locais passaram de sete para 12 com a inclusão das cidades de Curitiba, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Recife e Natal.
Além da resistência ao gonococo, a segunda rodada incluiu a detecção, por biologia molecular, de outros microrganismos causadores de ISTs em amostras de uretrites e úlceras genitais. A detecção dos microrganismos, como bactérias, vírus ou protozoários, foi realizada com a utilização de kits comerciais que detectam sete patógenos diferentes em cada tipo de amostra.
Mutação
Para a Mycoplasma genitalium, pesquisadores da UFSC estão realizando estudos de genes de resistência e utilizando sequenciamento do material genético do patógeno para identificar e analisar as mutações em genes que conferem resistência aos antimicrobianos. Este trabalho é realizado em parceria com o Laboratório de Bioinformática do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia do Centro de Ciências Biológicas (CCB).
Em relação à resistência em Neisseria gonorrhoeae, a equipe utiliza métodos de indução à resistência que mostram o comportamento da bactéria sob pressão seletiva do antimicrobiano in vitro. Um estudo desenvolvido na UFSC gerou uma publicação na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, que revelou um rápido desenvolvimento de mutações que causam resistência em Neisseria gonorrhoeae quando exposta a um antimicrobiano. Nesta mesma linha de pesquisa, outra tese está sendo desenvolvida no laboratório.
As atividades são desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar. Farmacêuticos, bioquímicos, biólogos, médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório e de enfermagem atuam nos projetos. São pelo menos 40 profissionais, além dos estudantes de graduação e pós-graduação. Na UFSC estão envolvidos os pesquisadores Marcos André Schörner, Jéssica Motta Martins, Hanalydia de Melo Machado, Fernando Hartmann Barazzetti, Felipe de Rocco, Ketlyn Buss, Mara Cristina Scheffer, Jhonatan Augusto Ribeiro, Julia Kinetz Wachter, Henrique Borges Grisard, Manoela Valmorbida, Clarice Iomara Silva e Maria Aparecida Rosa Cunha Cordeiro.
O projeto de vigilância da resistência do gonococo é uma parceria com o Ministério da Saúde, que considera o laboratório da UFSC como referência. Uma dessas parcerias tornou possível o recebimento de um equipamento, considerado pela OMS o padrão-ouro, para detecção de ISTs por biologia molecular, o que leva o Brasil a produzir resultados comparáveis internacionalmente. Este equipamento foi o primeiro instalado no Brasil e o único no mercado a oferecer automação em biologia molecular pela metodologia de amplificação mediada por transcrição, que faz a detecção do RNA do microrganismo e torna a técnica mais sensível.
Com informações de reportagem da edição 14 da Revista da Fapeu
